segunda-feira, 15 de junho de 2009

and so, babe:

the build up lasted for days
lasted for weeks, lasted too long

our hero withdrew when there was two
he could not choose one so there was none
worn into the vaguely announced



...the spinning top made a sound like a train accross the valley
and it faded oh so quiet but constant 'til it passed
over the ridge into the distances written on a ticket
to remind you
where to stop
when to get off

terça-feira, 9 de junho de 2009

a ante-sala do sonho

Uma amiga casou e vai viajar, e escreveu sobre a ante-sala do sonho -o espaço de lugar e tempo que antecede sua partida, de ir pela primeira vez conhecer e morar fora do Brasil.
A ante-sala do sonho deve ser tudo aquilo que pisamos antes de entrar no sonho. Os momentos antes de eu dormir, quando ainda não estou mais lá e muito menos aqui, nesta cama. O que ainda não se desdobrou mais já não é mais semente. A ante-sala há de ser alguma coisa de além, alguma coisa que se movimenta devagar antes de chegar lá, se é que pra quem está nela de vez em quando parece um tempo que não se move, um minuto congelado entre dois mundos. Quando a gente é criança e vê a onda quase quebrando mas ainda não, e o tempo pára para esperar. A ante-sala do sonho.
A ante-sala do sonho precede o sonho. A ante-sala do sonho precede o que é desejado antes dos tempos, a ante-sala é talvez a expressão mais terna e verdadeira da esperança (e também da angústia) - o lugar onde deixamos de tocar o absoluto por um milímetro, e este milímetro fica cada segundo mais perto, e tão perto que a gente quase consegue tocá-lo mas. Quando deixamos a ante-sala, aí sim, aí ele fica longe, porque já não é sonho, e não é mais de outros tempos. A ante-sala do sonho é o próprio sonho, à sua maneira. Porque a ante-sala do sonho é a própria matéria do sonho, o sonho em semente e em si mesmo, integral em tempo e espaço, absoluto - porque a ante-sala não é nem tempo nem espaço, a ante-sala do sonho é onde nos fundimos no próprio sonho, antes e depois dele, nunca durante.
Nestes últimos tempos faz frio, e seca, e o tempo parece esticado. Minha ante-sala de um sonho que eu não conheço, que muda de forma e de cor de vez em quando, e às vezes é um sul-africano numa ilha distante, outras vezes é uma bicicleta em Paris ou um parque com topless em Munique, uma xícara de chá e quinze horas de sono no sábado. Por incapacidade ou sabedoria, ainda estou tentando entender, mas me sinto eu própria a ante-sala de um sonho meu que me é a um só tempo desconhecido, antes e depois dele, nunca durante. Digamos em outras palavras: eu, quase.

quinta-feira, 26 de março de 2009

like a fever

Eu contei um dois três a respiração eu já estava prendendo há muito muito tempo atrás e abri os olhos para saber que não não era você lá. Apesar do mesmo cabelo, ele talvez um pouco mais novo (é - ele não tinha as suas entradas na testa), magro também, e até as roupas mesmo parecidas. Eu disse olá, ele respondeu em português, e eu deslizei o pensamento nestes meus daydreams/and we flew into it ("like a fever", dirá alguém) e você tinha aprendido a minha língua para fazer uma surpresa depois de algum 12 hours flight. "Olá", ele respondeu, e eu esqueci de perguntar como ele chamava. Hora de descer, e eu prestei atenção quando ele tirou a camisa, eu já pas d'espoir, já procurando cicatriz no seu braço (eu pensei em perguntar), mas não, ele não saberia responder em afrikâner. Fui embora mais cedo para não termos que ser apresentados.
Peguei depois todos os filmes que se passam na África na locadora ao lado de casa. Nada de histórias nos países árabes do norte, nem nos lusófonos e muito menos nos de língua francesa. Eu desenhei pra gente uma casa de madeira em alguma praia ou lago despovoado na África do Sul Quênia Nigéria, e imaginei uns patos voando por lá no final da tarde (dizem que tem), algum carro branco sujo que passava pela estrada, e imaginando tudo imaginei também que mudava a passagem que eu tinha para Paris, trocava as aulas de francês e o possível novo corte de cabelo cocote por uma bermuda velha qualquer e um chinelo pra gente caminhar na beira do mar africano.
Hoje à noite vou chegar mais cedo na aula. Eu e ele vamos nos cumprimentar mais uma vez "olá" e. é, ele fala português. ou talvez seja você de volta, we back again, after a 12-hour-flight.

("you know, J? What if us both pretend we're together tonight at your hotel room in Albania - if we do that, do you think maybe our wishes can come true soon?").

segunda-feira, 16 de março de 2009

e.e. cummings

i love my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones,and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you
i like,slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur,and what-is-it comes
over parting flesh... And big eyes love-crumbs
and possibly i like the thrill
of under me you so quite new


Eu amo imaginar você lembrando de mim através de uma poesia que você talvez nunca vá ler. Por isso, talvez mais do que por qualquer outra coisa, eu peguei estes poemas mais líricos-concretistas do Cummings pra mim, como se eles fossem uma declaração de amor que um dia eu espero de você, ou que talvez você faça de outro jeito. Ou como algo que nunca vai acontecer. Mesmo, talvez, como algo que você já fez (mais provavelmente).

Não importa mais.

(it just feels good)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

I wish

I wish I could fly. And play the piano. And write a romance before I die - a long skeptical one, with biographical features, on humanity and love. I wish I could write just like Cees Nooteboom or Paul Auster.
I wish I were much skinnier, and I specially wish I had skinnier legs, 'cause in fact I hate mine and sometimes I do feel like a short elephant walking around in my microskirts.
I wonder when my hair will finally get long, and I wish that to be soon, but I know it will take a long long time, and I'm not sure I'll be patient enough. I once had plans, but now I don't. I wish I could recall them all and believe a couple of them, but it's late, I think. Actually, I wish I could have new plans, but I guess I'm more a dreamer-type, and after a while I often get bored of plans, timetables and commitments, so that I dive into nowhere land, somewhere between here and another place which I'm always waiting to visit yet I never get to reach. I wish I could live there.
I wish I could had stronger beliefs, understand myself and forgive me more easily for my mistakes. Yet this year I feel good about being my own partner, and after all I guess I'm beginning to realize wishing is itself a way of being strong.
(To Glenio)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

outras encarnações

Sem romantismos: na minha segunda prática de yoga, aqui na Bahia, descobri o mistério das vidas passadas. Fui um caranguejo que comia camarão, dormia na praia e mordia as pessoas na areia. Trancoso rocks, especialmente com uma cerveja no final da tarde.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

On God and music

Então é assim: Deus pode existir. Se o Kraftwerk abrir o show do Radiohead, a prova cabal terá sido produzida. A melhor banda do mundo com a segunda melhor banda do mundo (pra mim é claro - qual será pra você?). Jesus, apague a luz.